Une partie de nous

Ah, já te fiz bem, não esquece.
Soulstripper. 
Eu acordei e senti o cheiro das cigarras. O som de suas asas atrapalhou meu sono e sua preocupação excessiva com o inverno depois das lições hipotéticas da falsa moral das formigas, fizeram com que eu lembrasse que tinha um livro a escrever. A editora já me cobrava há alguns meses uma novela policial inédita, onde a mocinha amava um bandido, mas depois descobria sua natureza e ficava com outro, o mais bonzinho, o herói. Um melodrama em voga durante a primeira metade do século XX. Publicava todos os dias em um folhetim e tinha, em mim, o sonho de ser um grande escritor. Só me davam os restos e eu não gostava disso. Era jovem e sabia de tanto dizerem o quanto tinha uma vida pela frente. Grandes realizações. Seria um escritor, mas não hoje. Eu era só o Oswald, o rapaz que grampeava, servia café, armava os jornais e revisava a gramática dos grandes literatos. De nada me servia a poesia, a não ser para ganhar uns trocados em um sábado à noite em bares, entre cantorias, taças de vinho, ébrios e mecânicos aplausos. Aquelas coisas me deixavam feliz por ter um público, mas triste por esse não ser, ao mesmo tempo, o meu público. Em outra oportunidade, amigo leitor, recorro às minhas memórias a fim de abastecer sua curiosidade sobre quem eu sou, como o Oswald se tornou um sujeito que fala na terceira pessoa. Por enquanto, só as cigarras. Minha novela, até então imaginária, vai ser escrita quando der na telha. Sinceramentem sou um preguiçoso e aprendi que ser assim é uma patologia literária.
A.E.C Souza  
Até tento rir de tudo, mas as peças que o amor me prega não tem nenhuma graça.
Gabito Nunes. 
Mas chega uma hora na vida que a gente tem que parar de ser boa com os outros e ser boa primeiramente com a gente. Fiquei amarga? Não mesmo. Agora eu sou prática. Vacilou? A porta está aberta, meu bem. Sem dó nem piedade.
Tati Bernardi. 
Me deixa viver em teu abraço?
Me deixa fazer do teu colo minha moradia.
Prestigiador. 
Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.
Gabito Nunes.  
Mas diz porque tu vais embora, me diz porque tens tanto medo, se não acorda cedo, nem trabalha, estuda ou namora. Mas diz porque chegou a hora, agora que eu venci meu medo, te peguei pelos dedos pra dançar enquanto o sol demora para chegar trazendo aurora e a luz que cega e me dá medo. E como um torpedo, eu deslizo, eu vôo num mar de lençois e cada dobra conta histórias de muitas delas sinto medo, são muitos enrredos, enrolados e embriagados como nós, tão a sós, como nós, tão a sós.
Fresno.   
Eu queria ressuscitar o ontem e acordar no meio de um daqueles nossos erros. Eu não te negaria nenhum beijo, nenhuma conversa de pé na cozinha, nenhuma oportunidade de mudar esse meu mundo sujo que se revela a cada noite fria e solitária, nenhuma chance de desvendar essa sua alguma coisa. Como faz esse seu novo amigo - quase namorado, já sei, mas não se incomode, não mereço explicação. Não vou perder meu tempo te prometendo coisas novas, prefiro começar cumprindo as que fiz a mim mesmo e parar de comer tantas besteiras. Mas, no auge do meu altruísmo, espero que essa nova pessoa esteja agora mesmo de cotovelos para seus encantos, aquela sua alguma coisa que você tinha e eu nunca soube identificar, mas até hoje impede de me apaixonar por outro alguém.
Gabito Nunes. 
Não existe motivo para pânico. Você age como se eu quisesse descarregar um caminhão de mudança na sua sala de estar. Mas por enquanto, eu só quero te chamar pra sair.
Gabito Nunes
Dizem por ai, mas não tenho certeza, que meu sorriso fica mais feliz quando te vejo, dizem também que meus olhos brilham, dizem também que é amor, mas isso sim é certeza.
Dom Casmurro. 
O telefone toca.
É a minha operadora me lembrando que a saudade não vai ligar.
Thiara Macedo 
A gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixa cativar.
O Pequeno Príncipe.  
© theme